Vencer a derrota

Vencer a derrota

Torcemos sempre pela vitória. A nossa vitória, claro. O medo da derrota nos aterroriza. Admitir nossa fragilidade ou incompetência nunca é fácil. Ninguém diz, com tranquilidade: “Errei, sim. Não estava preparado para alcançar a meta que pretendia”. Ou “sim, eles me venceram porque sou pior do que eles”. Ou “Mereci perder, meu desempenho foi péssimo”.

Preferimos apelar para um festival de desculpas inventivas, com o intuito de responsabilizar os outros por nossa derrota. Culpamos conhecidos e desconhecidos por realizarem as mais complexas sabotagens contra nós, ainda que ninguém as tenha visto e que pareçam, mesmo, pouco prováveis. Culpamos as condições externas – como os atletas que reclamam da bola, do calor, do acaso, da quadra escorregadia, da comida pesada que afetou a sua atuação. Culpamos o juiz pela derrota na partida. Culpamos o adversário político por vencer a campanha usando expedientes ilegais ou fraudulentos. Culpamos o parceiro pelo relacionamento falido.

Nessa área de relacionamentos afetivos, então, o arsenal de desculpas é interminável. Quem assume ter sido uma péssima esposa ou um péssimo marido? Nunca vi. Mesmo quando se rompe um pacto de fidelidade, damos um jeito de nos justificar – traímos porque há evidências de que o outro também nos trai, ou porque o outro não nos dá atenção, ou porque o outro não nos respeita etc. etc. etc. Até assumimos a tal “parcela de culpa”. Mas o quinhão maior sempre cabe ao outro.

Raro encontrar quem aja de modo diferente. Humildade e bom senso, afinal, não são qualidades que andam dando sopa por aí. Mais fácil encontrar outras características que marcam forte presença em nossos momentos de derrota: um bom grau de arrogância, que não nos permite enxergar nossas falhas, e a dissimulação, aquela cara de pau intrínseca, que nos leva a fingir que não vemos nossos erros, quando temos a mais absoluta consciência sobre eles.

Outro atributo que também costuma moldar o perfil dos derrotados é o vitimismo, característica daquelas pessoas que acreditam ser boas, honestas e merecedoras de todos os prêmios. Mas, em vez de se esforçar, preferem esperar que aquilo que desejam caia do céu, o que nunca ocorre porque o mundo é mau, não reconhece suas qualidades e só se move para prejudicá-los. São os que se valem da frase famosa de Benjamin Franklin: “Faça de você mesmo uma ovelha e os lobos te comerão vivo”. E assim eles podem sofrer à vontade, eternas vítimas livres de culpa.

Enfim, seja qual for a circunstância, a verdade é que uma derrota nunca é fácil de enfrentar, pois atinge em cheio nossa autoestima e autoconfiança. A saída mais fácil é esta: recorrer a pretextos e desculpas infundadas na tentativa de nos justificar. A outra alternativa é o escudo dos fortes: refletir, aprender, crescer. Ou seja, é preciso ser forte para perder sem se tornar um derrotado. Porque quem encara a derrota como um desafio terá sempre o sentimento e a postura de vencedor.

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